Sábado, 21 de Agosto de 2010

 

Poema sugerido pela minha mãe e que no seu conteúdo foi concebido por ela.

Eu dei o contributo da estrutura e da rima.

Homenagem ao meu avô materno… Que descanse em Paz e na Luz.

 

 

Hoje toda a gente fala em crise

Mas poucos pensam no passado

E não foi assim há tanto tempo

Que se viveu na realidade este fado.

 

Os Pastores e os Agricultores

Analfabetos ou Sábios?

 

Alguém ainda se lembra deles?

Homens que dormiam no chão

O seu tecto era a noite ao luar

A sua companhia, por vezes, só o cão.

 

Considerados analfabetos por muitos

Mas eram sábios pelo seu valor imenso

Sabiam sempre as horas, sem relógio

A exactidão do meio-dia no terreno extenso.

 

Altura certa para semear

Tarefas correctas para ir cuidando

Altura certa para colher e sachar

Timing correcto para ir plantando.

 

Eram médicos do seu gado

Engenheiros das suas casas, com experiência

Arquitectos das suas terras e campos

Professores em sabedoria e ciência.

 

Eram meteorologistas sem errar

Treinadores dos seus animais

Parteiros das suas crias

E vós, ainda vos lembrais?

 

As novas criaturas vinham ao mundo

E estes homens nem dormiam sequer

Para verificar se tudo estava bem

E ainda iam cuidando da mulher.

 

Analfabetos, mas também poetas

Vejam estes versos referidos

Da veia poética dos que

Parece que foram esquecidos…

 

“O peixe pediu a Deus água

O mar a Deus fundura

O homem pediu inteligência

E a mulher formosura!”

 

Desafio:

E agora também de um homem

Muito sábio, mas que não sabia ler

Gostaria de ver da vossa parte

A quem possa saber responder:

 

“Se és poeta

E és poeta no cantar

Diz-me lá tu em cantiga

Quantos peixes há no mar?!

 

Quantos peixes há no mar,

Todos eles vão ao fundo

Diz-me também em cantiga,

Quantos homens há no mundo?!

 

Quantos homens há no mundo

Nem todos usam chapéu

Responde-me tu em cantiga

Quantos anjos há no céu?!

 

Quantos anjos há no céu

Todos eles usam coroa

Diz-me tu em cantiga

Quantas ruas tem Lisboa?!"

                              



publicado por thoughtsandpoems às 12:56

 

I

O respeito inicial e depois continuado apreciei

E a educação idem aspas observei

As perguntas e respostas que o papel impunha

Não eram bem aquelas que o momento queria como cunha

Mas ambos seguimos o que…

            …as letras ditavam

            …os olhares somavam

            …e as despedidas se aproximavam

Depois foi-nos permitido vermo-nos outra vez

E os minutos insistiam na sua escassez

Querendo eu prolongar o imparável relógio

Que move o mundo

Qual universo belo e profundo…?

 

II

E as tardes da semana foram todas elas diferentes

As árvores da avenida estavam também elas contentes

Reflectindo o brilho da pessoa a caminhar

Deixando para trás outra a se encantar

E isso ficará para a história

Nas gavetas bonitas da memória

O não querer que chegasse a despedida

Mas ao mesmo tempo fiquei um pouco retraída.

 

 

III

A comunicação não parou de fluir

Com liberdade e consciência a insistir

Ainda bem que assim foi acontecendo

Palavras nossas que lembro e vou relendo

No patentear da encruzilhada dos caminhos…

           …Mozart decidiu estar presente

           …Nenhuma aura se disse ausente

           …Clamor esse tão mais eloquente

Chegou a hora e se concretizou

Esse segundo não mais esperou

             O segundo segundo se seguiu

             Silencioso o minuto se definiu

O momento foi passando nas horas fugidias

Levando o que nos traz o senhor tal

Que se apelida de Tempo

            Tão importante… tão banal…

            Tão imponente… tão real…

 

IV

Muitas coisas faltam salientar

Mas o papel está a findar

A maneira magistral como fui tratada  

E até a vela foi chama(da)

Trajei-me de invencível calma

E lembro-me de bem perto ver a alma

Apercebi-me de um flash de Luz que me tocou

Foi o silêncio a falar e que deste sonho me acordou...

 



publicado por thoughtsandpoems às 12:32
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